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Os melhores maquinistas do mundo

Uma coisa que os passageiros, visitantes e até mesmo os estrangeiros sempre admiravam na Vale é a perfeição nas operações dos trens. Alguns estrangeiros chegam a dizer que são os melhores do mundo.

Enquanto na Europa, para conduzir trens leves e comuns os maquinistas são sempre homens de meia idade, quase todos corpulentos, com peso acima de oitenta quilos, aqui verdadeiras crianças conduzem trens com duas mil toneladas, com absoluta segurança e perfeição.

Para confirmar isso, escrevo uma passagem ocorrida em 1962. A Construtora Tratex estava construindo a Variante de Sá Carvalho e tinha em seu quadro técnico um romeno de nome Scule. Esse senhor, de aproximadamente 65 anos, fora maquinista em sua terra natal e conhecia quase toda a Europa. A coisa que ele mais admirava era ver um trem de minério descer a serra, com seus cento e quarenta vagões. Com autorização da chefia, convidei-o para viajar em um trem de minério, da estação de João Paulo em Itabira, até Intendente Câmara, em Ipatinga. Seguimos em uma perua Rural até João Paulo e após assistirmos ao carregamento do trem de minério FM12, fomos para o ponto de partida. Chegam então o maquinista e o ajudante, ambos rapazes com no máximo 23 anos e uns sessenta quilos de peso. Após os cumprimentos, subimos numa das locomotivas. Eram três G16, novinhas, fazendo a primeira viagem.

 

Como os desbravadores bandeirantes, os maquinistas enfrentaram desafios diversos na abertura da EFVM

O trem era composto com cento e quarenta vagões de minério. O maquinista Raimundo Domingos fez o teste do freio e avisou ao agente que ia partir.

Quando o trem atingiu 10 km por hora, fez uma aplicação de freio e disse: Esta composição está boa e não deve ter nenhum ‘vagão direto’.

À medida que algum vagão apresentava defeito nos freios, ele era isolado do sistema integrado de ar comprimido gerado pela locomotiva, ficando sem freios. A expressão vem do fato do ar passar direto do vagão anterior para o posterior a ele.

Como tinha pleno conhecimento do trecho, pedi ao Raimundo para fazer uma média boa de velocidade até Desembargador Drumond. Ele manteve o trem entre 40 e 45 quilômetros por hora. O senhor Scule delirou com aquela perfeição, pois estava habituado a ver oscilações entre 10 e 50.

Em Engenheiro Guilman, entramos num trecho novo e disse ao maquinista para ir até 60 quilômetros por hora. O trem desceu suave, com uma velocidade entre 55 e 59 km por hora sem dar o menor arranco. Aí o senhor Scule, diante de tanta perícia e naturalidade com que o Raimundo conduzia o trem, disse:

No novo trecho da Variante de Sá Carvalho, os trens circulavam em boa velocidade

Vocês são uns heróis desconhecidos. A Vale precisava fazer divulgação desta qualificação de seu pessoal. Isso é coisa rara no mundo!

Contei a ele que muitos maquinistas saíram da máquinas a vapor e passaram para a diesel, sem receber nenhuma instrução, e continuaram operando com a mesma eficiência.

Outra coisa que chamou a atenção o senhor Scule foi a simplicidade com que os maquinistas trabalhavam no domínio absoluto do trem.

OBS: Nesse período, a Companhia Vale do Rio Doce era conhecida como “Vale”, que se tornou o nome atual empresa.

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