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Com a aquisição da Acesita pela empresa Usinor, franceses desembarcam em Timóteo para trabalhar na siderúrgica

Em 1998, o grupo francês Usinor adquire participação no capital da Acesita, iniciando investimentos na gestão da única fabricante de aço inoxidável da América Latina. No início dos anos 2000, três empresas líderes mundiais na produção de aços planos, a Usinor, Arbed, e Aceralia, se juntam, formando a Arcelor. Em 2006, a empresa Mittal Steel adquire parte do controle da Arcelor, criando então a ArcelorMittal. Em 2011, com o desmembramento do setor de inox da ArcelorMittal, cria-se então a Aperam South America.

Dentre os franceses que incorporaram a direção da siderúrgica em Timóteo, Benoît Pierre Marie Carrier assume a diretoria técnica e de desenvolvimento, implantando o SAP – Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados. Pouco tempo depois é designado diretor da Acesita Energética, atual Aperam Bio Energética, com sede em Capelinha.

 

Ao centro da fotografia, entre diretores da então ArceloMittal de Timóteo, Benoît Pierre Marie Carrier, diretor técnico e de desenvolvimento da siderúrgica

Porém, poucos sabiam que Benoît Carrier era neto do fundador da Delahaye, uma das mais importantes indústrias automobilística e de tratores da França, fundada em 1894, e extinta em 1954, em decorrência da crise do pós Segunda Guerra Mundial, que assolou a Europa.

A Delahaye fabricava automóveis, caminhões, tratores e veículos para corpo-de-bombeiros até a primeira metade do século XX. Mas, em 1954, essa promissora indústria de carros e equipamentos foi vítima da forte crise econômica provocada pela Segunda Guerra Mundial em toda a Europa.

Além de automóveis e caminhões, a Delahaye fabricava veículos para corpo-de-bombeiros

Herdeiro da famosa marca do carro criada pelo avô, anos mais tarde, Benoît Pierre Marie Carrier empenha-se em realizar um de seus maiores sonhos: ressuscitar a fábrica e voltar a fabricar os famosos automóveis Delahaye. Trabalhando como diretor da então Arcelor em Timóteo, e determinado a viabilizar a retomada da Delahaye, Carrier precisaria de um portfolio sobre o carro, que incluía um projeto de um novo carro, novos estudos de viabilidade econômica e dar início a prospecção de novos parceiros financiadores do vultoso empreendimento.

Reestilização do Delahaye

Neste período, Carrier contrata a empresa Gene Design, de Adriano Souza Carvalho, fabricianense, residente em Belo Horizonte, para conceber um novo automóvel, mas, que mantivesse as características centrais dos antigos modelos. Adriano inicia então a execução de um de seus mais importantes projetos de design, que era reestilizar o Delahaye, na perspectiva de vir a ser fabricado na França.

À esquerda, o diretor da Gene Design, Adriano Souza Carvalho, com o diretor de design da Jaguar, em ocasião da visita ao Salão de Automóveis de Los Angeles – EUA

 

Desenvolvimento do novo Delahaye

Na reportagem, mostraremos um pouco do processo de desenvolvimento do novo modelo concebido pela Gene Designe, que começa com uma observação criteriosa dos antigos modelos da marca, até o mockup, isto é, uma maquete do carro em escala 1:5.

 

Inicialmente, Adriano pesquisou os modelos Delahaye fabricados na primeira metade do século XX

 

Em seguida, a idealização

 

E a renderização do novo modelo reestilizado

 

Visualização em váriois planos

 

Mockup produzido com bloco de isopor

 

Protótipo finalizado em escala 1:5

Em entrevista a Revista Caminhos Gerais, Adriano Carvalho não soube informar em qual estágio está o processo de retomada do projeto da nova fábrica do Delahaye no país europeu.

Uma marca que primava pela qualidade

Elegantes, o Delahaye tinham fama também de carros de alta qualidade

Fundada por Èmile Delahaye em 1894, em Tours, a fábrica de carros que levava seu nome, não se posicionava como carros revolucionários; porém, era reconhecida como fabricante de carros de alta qualidade. Após participar da corrida Paris-Marselha-Paris, em 1896, a empresa cresceu e transferiu-se para Paris, em 1898. Com algumas inovações, passou a fabricar caminhões, tratores, carros de bombeiros e veículos para uso militar. No final da Primeira Guerra Mundial, a fábrica implementou novas técnicas de produção norte-americanas, especialmente na linha de montagem, aumentando ainda mais a produtividade.

Em 1935, A Delahaye comprou a marca Delage, que estava em crise devido à grande depressão da época. Assim foi capaz de desenhar soluções técnicas válidas da casa de Levallois. Nesse período, a marca participa do Rali de Monte Carlo em 1937 e das 24 Horas de Le Mans em 1938.

O autor desses êxitos foi acima de tudo o modelo Delahaye 135, proposto como carro de luxo numa variedade de configurações, como também carro de corrida. Durante o mesmo período, a Delahaye ficou famosa pelo design ousado​, com perfis muito aerodinâmicos, em forma de lágrima.

A indústria Delahaye conseguiu manter-se incólume durante a Primeira Guerra Mundial e o crash da bolsa em Wall Street em 1929. Não obteve tanta sorte, entretanto, no período da Segunda Guerra Mundial, quando ficou gravemente deficitária. Após o conflito, no final de 1945, a produção do modelo 135 foi retomada, com novo desenho de Philippe Charbonneaux.

Em 1954, a empresa foi adquirida pela Hotchkiss, que usou a marca por um tempo muito curto, destinando-se à produção de caminhões. Após a Hotchkiss finalmente ter extinto a marca, a história da Delahaye chega ao fim.

Atualmente, alguns raros Delahaye são encontrados nas mãos de colecionadores, que poderão ser vistos em encontros de carros antigos, especialmente encontros de carros nobres como o Peble Beach Tour d´elegance, na Califórnia.

 

Delahaye 145 Franay Cabriolet, de 1937, no encontro de carros antigos Peble Beach Tour d´Elegance, na Califórnia

Benoît Pierre Marie Carrier

Graduado em Engenharia Metalúrgica pela École Centrale de Paris, Benoît Pierre Marie Carrier, que atuou como diretor Técnico e de Desenvolvimento da Arcelor, iniciou sua carreira na Industeel, onde ocupou diversas posições, entre elas, a de diretor dos Departamentos de Forjaria e Fundição. Posteriormente, diretor da usina de Creusot. Ainda na Industeel, dirigiu a unidade de negócios de construção, caldeiraria e crioengenharia.

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