FSFX Usisaúde – Semana 02

Mineiro, natural de Dionísio, José Rosário é um dos maiores artistas plásticos do país, cujas obras retratam com extremo realismo a paisagem principalmente de sua Terra natal

“Pinto o que vejo e o que vivo, sobrevivendo aos modismos contemporâneos, que vez ou outra insistem em me seduzir. Mas, as raízes, aquelas das quais não se pode fugir, me pedem para serem expostas. Tenho um compromisso com a arte: levar ao mundo um pedaço do meu mundo que o progresso ainda não conseguiu engolir.”

José Rosário

Natural de Dionísio, onde nasceu em 7 de outubro de 1969, José Rosário de Castro Souza, é um dos mais talentosos e criativos pintores paisagistas do país. Não é à toa que um de seus quadros, ‘As riquezas que rolam de Minas’, retratando escravos no garimpo, estampa a capa da primeira edição da revista ArtClub, publicação de abrangência nacional. De fato, a paisagem e a gente mineiras estão sempre presentes em sua obra, cheia de cores vivas e impactantes. Além de mais de trinta exposições, entre coletivas e individuais, o artista tem trabalhos expostos em várias publicações e catálogos nacionais, como o Art Gallery in Brazil, encontrado nas principais redes de livrarias do país.

José Rosário concluindo mais um óleo sobre tela

 

Finalizado, o óleo sobre tela retrata uma das belas paisagens rurais do município de Dionísio

José Rosário recebeu convite para expor sobre o tema África/Brasil, na Holanda, porém, a crise mundial abortou o projeto. Sem desanimar, aproveitando o que já tinha feito, montou a exposição ‘Olhar a África: Ver o Brasil’, série em vários estilos de 48 quadros, alguns comentados pelo excelente poeta José Maria Honorato, formando uma interessante intertextualidade entre pintura e poesia. Mas o trabalho de José Rosário não se restringe apenas a paisagens. ‘Ser eclético não é um defeito’, diz o artista, que vai experimentando ensaios impressionistas, acadêmicos, visões surrealistas e pós-modernas. Sobre expor em galerias famosas? ‘O artista não pode pensar apenas em dinheiro. Sua obra é consequência de seu trabalho’, responde.

Sua arte foi capa da revista Artclub, em reportagem sobre sua exposição “Olhar da África: Ver o Brasil”

Uma das paisagens que mais inspiram José Rosário, a Serra das Laranjeiras, na área rural de Dionísio, é hoje conhecida internacionalmente por meio de seu trabalho. O dia a dia, as cachoeiras, a lida, pessoas, animais, árvores, vales em suas diversas estações, transplantaram-se em detalhes para as telas do artista.

As corredeiras do Ribeirão Mumbaça

 

Vales

 

Vivência

 

Rua central de Dionísio

 

Além da natureza, José Rosário pintou cidades do Médio Piracicaba e cidades coloniais

 

Sua Terra natal Dionísio

 

SÃo Domingos do Prata

 

Ouro Preto

 

Tiradentes

O legado que a arte de José Rosário está se materializando, permanecerá também nos pincéis de inúmeros talentosos jovens artistas, que desenvolveram seus talentos em seu ateliê. José Rosário, além de desenhista de primeira grandesa e artista plástico, é também professor de artes plástica. Em um des seus projetos, o professor José Rosário ao final do curso, realizou uma exposição com todos os trabalhos realizados pelos alunos. Diversas formas de arte, como desenhos a lapis, aquarela e tintas revelaram o bom nível dos alunos

 

O artista plástico tem em seu histórico, a formação de vários alunos em seu ateliê – Foto: José Rosário

 

Os trabalhos dos alunos de José Rosário, são em geral mostrados em exposições coletivas – Foto: José Rosário

José Rosário mantém um dos mais amplos webcanais sobre arte do país.

http://joserosarioart.blogspot.com/

Seu blog inclui reportagens publicadas em diversos veículos; trabalhos de centenas de artistas nacional e internacionalmente conhecidos; informações sobre os principais museus e sugestões de uma série de relevantes Blogs.

ENTREVISTA COM JOSÉ ROSÁRIO

Caminhos Gerais – Quando começou seu interesse pela pintura?

José Rosário – Desenho desde pequeno, mas nunca tive aulas. Fiz meu primeiro trabalho aos 16 anos. Foi a reprodução de um quadro de Guignard (Alberto da Veiga Guignard, pintor conhecido por retratar paisagens mineiras) que vi em um livro. Era uma paisagem de Sabará e guardo a tela até hoje. Aos 23 anos, depois de me desligar da antiga Acesita, onde trabalhei entre 1986 e 1993, meu interesse pela pintura aumentou. Comecei a ler mais sobre o assunto e a visitar museus e galerias. Mas, percebi que estava no caminho certo, quando em São Domingos do Prata, conheci o paisagista Wilson Vicente. Em 1995 fiz minha primeira exposição individual no Banco Central de Belo Horizonte, intitulada ‘Assim é Dionísio’.

Caminhos Gerais – Por que Dionísio está sempre presente em sua obra?

José Rosário – É uma temática muito particular por ser minha cidade natal. São afinidades pessoais e tudo resulta com mais naturalidade. E também por gostar muito de pintar paisagens. Afinal, todos os grandes artistas pintaram sobre as suas cidades.

Caminhos Gerais – Quais são as suas principais referências artísticas?

José Rosário – São várias. Os melhores paisagistas brasileiros são mineiros, como Mauro Ferreira, João Bosco Campos e Luiz Pinto. Além de Gilberto Geraldo, que não pinta apenas paisagens, e desde 1999 mora na Rússia, onde dá aulas numa das escolas mais conceituadas do mundo. Também gosto muito do norueguês Clyde Aspevig e do chinês Mian Situ. E não posso deixar de citar os grandes mestres como Velásquez e Michelangelo, além de Giuseppe de Nittis, um dos precursores do impressionismo.

Caminhos Gerais – O mercado de arte no Brasil é compensatório?

José Rosário – O mercado às vezes é muito injusto. Mas quem seleciona o artista é o próprio meio artístico. Primeiramente, o iniciante tem que se destacar. Se a trajetória dele é diferenciada, está garantida uma maior cotação de seu trabalho. Por outro lado, o artista hoje não precisa morar num grande centro para ter sua obra reconhecida, já que existem as galerias virtuais.

Caminhos Gerais – Qual a função essencial da arte?

José Rosário – Segundo Schopenhauer (filósofo alemão), a arte é o único momento onde a descida para a morte é paralisada. Então, vejo a arte como o único caminho possível da pessoa viver o que realmente gostaria de ser. A arte tem ainda a função de integrar as pessoas. Considero a arte como o único caminho possível para a humanidade.

 

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