Essa semana, o histórico festival de música celebra 56 anos

Festival de Woodstock, em 1969
Quando John Lennon cunhou a frase “o sonho acabou”, muitos pensavam que se tratava do fim dos Beatles, porém, ela se tornou muito mais abrangente, ao ser desalento também para aquele movimento utópico que acreditava ser possível o mundo viver em paz e amor, absolutos.
O período do delírio, das canções que falavam de amor, anunciavam que a realidade não combinaria com a utopia.
O movimento Hippie, que surgiu no estado da California, a cidade de São Francisco, foi influenciado pelos Beatiniks, movimento literário e cultural da Geração Beat, latente nos anos 1950 e 1960.
Os hippies adotavam também uma filosofia de vida inspirada na cultura da India, que preconizava a valorização da diversidade, o respeito aos mais velhos, a importância da espiritualidade e a busca pelo equilíbrio entre o material e o transcendental. Segundo alguns protagonistas dessa história, muito da filosofia adotada pelos hippies, foi trazida para os EUA pelos soldados americanos que lutavam na Guerra do Vietnã, pais que adotava o budismo como religião. Decepcionados com a obscura política externa de seu país, com a crueza sangrenta da guerra e a experiência em uso de drogas, especialmente alucinógenas, estes ex-fuzileiros, retornaram de túnicas coloridas e se infiltraram-se na contracultura.
Woodstock
O histórico festival de Woodstock, realizado na fazenda de Max Yasgurna, cidade de Bethel, estado de Nova Iorque, nos dias 15 a 18 de agosto de 1969, reuniu mais de 400 mil pessoas. O evento que marcou de forma icônica o movimento hippie, não apenas como um evento de grande porte, onde milhares de pessoas se reuniram num só lugar, sem ter sido registrado sequer um distúrbio, mas também como o encerramento de uma era.

Mais de 400 mil pessoas se concentraram na fazenda em Bethel
Nos anos 1960 e 70, considerado anos de efervescência cultural e comportamental, coroada com uma avalanche de músicos e bandas que falavam de tudo em suas músicas, o Woodstock reuniu até então o maior número músicos no mesmo palco. Jimmy Hendrix, The Who, Creedence, Janis Joplim, Carlos Santana, Joe Cocker, Jean Baez e muitos outros.
Influenciado também pela ciência da astrologia, os hippies emanavam os ideais da Era de Aquário, associada a características como inovação, tecnologia, liberdade, coletividade, igualdade e movimentos sociais.
A narrativa descrita na canção “San Francisco”, de Scott Mckenzie, que retrata uma sociedade gentil e que utiliza flores em seus cabelos, traduzia as transformações da mentalidade, especialmente dos filhos da classe média americana, conservadora e segregacionista.
A simbologia hippie teve sua relevância em várias vertentes, seja na cultura, nos costumes, na música, na arte pop e psicodélica, na moda e no modo de vida.
Cabelos longos, ante consumismo, alimentação natural, pensamento livre, foram as subversões que o capitalismo teria que enfrentar dali para frente.
Como doutrina criativa, de transformar tudo em mercadoria, o capitalismo preservou os elementos da identidade e estética hippie, que poderiam ser enlatados e os sintetizaram na moda. A arte pop implícita nos itens de consumo dão forma e cores no consumismo jovem.
O Festival Woodstock também foi enlatado, transformado em filme, álbum em vinil, documentários, DVD, CD e agora em spotify.






