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Iniciada ainda no período da mineração colonial, as incursões sobre a atual região do Colar Metropolitano do Vale do Aço, então ocupadas pelos temidos índios botocudos, ocorreram por diferentes avanços sobre o território

A Micro Região do Vale do Aço, tendo a Região Metropolitana do Vale do Aço como o epicentro das atividades econômicas para o setor metalmecânico, forma-se em seu entorno um colar metropolitano com 24 municípios. Num arco de aproximadamente 120 quilômetros de diâmetro, o colar metropolitano ocupa uma extensa faixa à margem do Rio Doce, tendo como afluentes, dois importantes rios, o Piracicaba e o Santo Antônio, além de inúmeras lagoas nos limites do Parque Estadual do Rio Doce. As cidades do colar metropolitano são: Braúnas, Joanésia, Açucena, Periquito, Naque, Iapu, Sobrália, Mesquita, Belo Oriente, Budre, Ipaba, São João do Oriente, Dom Cavati, Antônio Dias, Jaguaraçu, Marliéria, Dionísio, São José do Goiabal, Córrego Novo, Pingo D´Água, Bom Jesus do Galho, Vargem Alegre, Entre Fôlhas e Caratinga.

Pertencentes ao tronco macro-jê (grupo não tupi), os botocudos ocupavam os territórios da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais  

Até a chegada dos primeiros colonos e o banimento dos primeiros donos da terra, os índios botocudos, a região do Vale do Rio Doce era conhecida também como “área proibida”, decisão oficial para impedir o contrabando de pedras e metais preciosos pelo Rio Doce.

Acredita-se que o Médio Rio Doce tenha sido o último refúgio dos índios botocudos, irmãos étnicos dos aimorés, que viviam próximos ao litoral, no Espírito Santo. Botocudos, é uma denominação genérica dada pelos colonizadores portugueses, devido o índio usar em seu corpo, ornamentos, como botoques labiais e auriculares. Estes diferentes grupos indígenas, pertencentes ao tronco macro-jê (grupo não tupi), dividiam-se em diversas filiações linguísticas e regiões geográficas, como Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. Outras denominações dos botocudos, eram: aimorés, boruns ou guerens.

Com a ocupação das terras férteis do Vale do Rio doce, os colonos patrocinaram quase que o total desaparecimento dos nativos, assegurados pela “Lei da Terra”, de 1850, que autorizava o aniquilamento total dos nativos.

Incursões pelos rios

Confluência dos rios Piracicaba com o Doce, local onde desenvolceu-se atividades industriais responsáveis pela alcunha Vale do Aço

Antes mesmo dos índios serem incomodados, nos arredores do atual Vale do Aço, por um lado, os rincões montanhosos, e por outro as planícies do Rio Doce, as atividades ligadas à mineração colonial se expandia do centro da Província para o leste. Ouro fluxo de colonização subia pelo Rio Doce.

Essas incursões delinearam o ritmo de instalação dos povoados e suas vocações históricas. Estas, datam do início do século XVIII, sendo pelo Rio Piracicaba, liderada pelo Bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo Rio Santo Antônio e mais tarde pelo Rio Doce.

A partir destas incursões, a região foi colonizada dos extremos para o centro, vindo a alvorecer na confluência do Rio Piracicaba com o Doce o polo siderúrgico, responsável pela alcunha Vale do Aço, a partir do século XX. Este processo de povoamento desencadeado a partir do século XVIII teve suas diversas rotas históricas, de onde provavelmente surgiram as primeiras trilhas que serviram aos tropeiros que as interligavam comercialmente.

Nessa nova narrativa, mostraremos o deslocamento dos pioneiros e o estabelecimento destes, formando os núcleos de povoamento formadores dos atuais municípios do Colar Metropolitano do Vale do Aço.

Nossa Senhora de Nazaré de Antônio Dias Abaixo

Casa atribuida ao bandeirante Antônio Dias de Oliveira, no arraial de Antônio Dias Abaixo

Provavelmente a mais remota incursão na direção do atual Vale do aço tenha sido a do bandeirante Antônio Dias de Oliveira, onde fundou o arraial Antônio Dias Abaixo, em 1706. Partindo das primeiras escavações do que veio a ser um aglomerado de minas auríferas, que fundiram-se em vários arraiais, surgindo então Vila Rica (Ouro Preto), prelúdio do Ciclo do Ouro, o bandeirante termina sua expedição na localidade que deu o nome de Antônio Dias Abaixo, em referência a Antônio Dias, hoje, importante bairro na região central de Ouro Preto. Até chegar ao antigo arraial, o bandeirante percorreu as margens do Rio Piracicaba desde Vila Rica, Catas Altas, São Miguel do Piracicaba, São José da Lagoa (Nova Era) e Antônio Dias, onde faleceu e foi sepultado.

Em 14 de julho de 1832, foi criada, por uma resolução do Conselho Provincial, a freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de Antônio Dias Abaixo. Elevado a distrito em 1912, subordinado a Itabira, a então Freguesia passa à denominação Antônio Dias Abaixo. Em 1918, o nome é simplificado para Antônio Dias e em 1923 são criados os distritos Hematita e Melo Viana, que são anexados à vila de Antônio Dias. Em 1925, Antônio Dias emancipa-se. O território abrangia desde a confrontante Nova Era até o Ribeirão Ipanema próximo a confluência do Rio Piracicaba com o Doce. Ali, em 1940 é instalado a Cia. Aços Especiais Itabira – Acesita, iniciando então a transformação da região na direção de um polo industrial siderúrgico.

“Estrada Aberta” ou “Estrada do Degredo”

Mapa da Comarca de Vila Rica, de 1778, mostra o traçado da antiga estrada que levava até as minas de Barra do Cuieté, servindo posteriormente ao presídio de Cuieté

Ao mesmo tempo, uma estrada era aberta, do Centro da Província de Minas Gerais à Barra do Cuieté. A Estrada Aberta ou Estrada do Degredo remete ao século XVIII, quando a Colônia investe na esploração do Vale do Rio Doce. Corria notícia que em Barra do Cuieté (região de Conselheiro Pena), o ouro aflorava em abundância. Como não se confirmou o tal volume de ouro extraído, a estrada passou a servir de ligação entre Ouro Preto e um presídio em Cuieté. A estrada fica então conhecida como Estrada do Degredo. Consta que durante um longo período, a Estrada do Degredo serviu de ligação entre Santana do Alfié e Quartel do Sacramento.

Ponte Queimada

Construída sobre uma garganta de pedra no Rio Doce, pouco abaixo da atual, numa corredeira entre os saltos Jacutinga e do Inferno, a travessia atenderia a Estrada Aberta. Denominada Ponte Queimada, devido ao conflito entre nativos e militares, que provocou o incêndio da ponte, em meados de 1793, é um capítulo dessa intrigante odisseia ainda não totalmente elucidado pela história. A antiga estrada atravessou 4 cursos d´água, sendo o Rio Piracicaba, o Ribeirão do Mombaça, o Rio Doce e o Sacramento Grande.

Sobre o Rio Doce, a Ponte Queimada, em estado precário, é um valioso patrimônio cultural, visitado por pesquisadores e turistas – Foto: Alex Ferreira

São Sebastião do Alegre

Fazenda Alegre, demolida na década de 2000, provavelmente foi a primeira edificação no então distrito de Antônio Dias, Timóteo

Ainda no século XIX, a região ainda pertencente à Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de Antônio Dias Abaixo, Francisco de Paula e Silva adquiriu três sesmarias na localidade e se instalou em uma delas, no atual bairro Alegre, próximo ao chamado Ribeirão de Timóteo. Francisco estabeleceu a agricultura e a criação de gado, incentivando a formação de um povoado, mais tarde batizado de São Sebastião do Alegre. Em 1938, houve a criação do distrito subordinado a Antônio Dias, já com a denominação de Timóteo, que na década seguinte foi escolhido para sediar o núcleo industrial da Acesita.

Mais ao norte, uma outra frente de exploração ocorria, porém às margens do Rio Santo Antônio na direção da área proibida. Vinda de Itabira do Mato Dentro, a expedição foi responsável pelo surgimento de Santana de Ferros, atual Ferros, de onde seguindo o rio, surgiram Joanésia e Mesquita.

Santana de Ferros

À margem do Rio Santo Antônio, em Santana de Ferros, atual Ferros, inicia-se no século XVIII a colonização do território, que estendia até Mesquita.

O desbravamento da região ocorreu por meio de bandeiras que seguiam pela região à procura de metais preciosos entre os séculos XVIII e XIX. Com a exploração das terras, formou-se um povoamento às margens do rio Santo Antônio. Embora as origens da ocupação tenha suas raízes na mineração colonial, o crescimento populacional e econômico se deve à agropecuária. Em 1832, foi criado o distrito de Santana dos Ferros, subordinado a Itabira, sendo emancipado em 23 de setembro de 1884 e passando a denominar-se simplesmente Ferros em 1923. Em seu território situa-se o povoado de Borba Gato, que segundo dados históricos, homenageia o bandeirante que por essas terras hospedou-se.

Joanésia

Avançando pelo Santo Antônio, estes exploradores alcançam a região do atual município de Joanésia. Em 1850, observou-se a chegada do coronel da Guarda Nacional Antônio Pereira do Nascimento, enviado ao local com objetivo de proceder o desbravamento da região. O coronel e sua comitiva fundaram um povoamento localizado na barra do chamado córrego da Joanésia, transformado no distrito de Paraíba do Mato Dentro em 21 de maio de 1852, pertencente a Itabira, tendo sua sede mais tarde transferida para a área da atual cidade.

Mesquita

Em Mesquita, estabelece a agropecuária

Pouco abaixo, sentido Vale do Rio Doce, numa área ocupada originalmente pelos índios Botocudos, o Barão de Mesquita, por volta de 1850, a quem o nome da cidade homenageia, estabelece a agropecuária. Em seguida, tem-se a chegada de Pedro Martins de Carvalho, que instalou uma fazenda, e mais tarde, doou boa parte de suas terras à Igreja Católica, dedicando-as a Santo Antônio, o que abriu espaço para a formação do povoado de Santo Antônio de Caratinga. Dado o desenvolvimento observado, em junho de 1860, foi criado o distrito, subordinado a Ferros, emancipando-se com a denominação de Mesquita, em 7 de setembro de 1923.

 

Quartel do Galo

A exploração da área do atual município teve início no século XIX, com a chegada dos primeiros homens brancos que estavam a explorar o Vale do Rio Doce e mais tarde adquirir terras dos indígenas. Para contê-los e expulsá-los, criaram-se quartéis, dentre os quais o Quartel do Galo, ao redor do qual surgiu um pequeno núcleo que se desenvolveu exclusivamente da agricultura até a década de 1920. A partir do povoado, em 1943 é criado o distrito de Belo Oriente, subordinado a Mesquita, que foi emancipado em 1962 e instalado em 1º de março de 1963. Na década de 1970, é implantada no local uma fábrica de celulose, a Cenibra, que integraria ao complexo industrial do Vale do Aço

Ainda no século XVIII, uma longa estrada era aberta entre o centro administrativo da Província, à localidade de Barra do Cuieté, ao leste, na direção da divisa com o Espírito Santo. A estrada ligaria Ouro Preto às novas explorações auríferas então descobertas já no declínio do ciclo do ouro. Com seu traçado pouco estudado pela historiografia, vindo a habitar o imaginário das pessoas, sua abertura deixou como marco da odisseia, a Ponte Queimada, entre os municípios de Marliéria e Pingo-d´Água. Além da Ponte Queimada, núcleos de povoamento foram surgindo ao longo do traçado, como o Quartel do Sacramento e Entre Folhas. Como não foi encontrado ouro em abundância, o caminho passou a ser utilizado como ligação entre Ouro Preto e um presídio em Cuité, fato este que levou a estrada ficar conhecida como “Estrada do Degredo”.

Quartel do Sacramento

Ao longo da Estrada do Degredo, em Quartel do Sacramento, Guido Marliere instala o quartel que veio a ser o maior aldeamento indígena do Vale do Rio Doce

Durante a construção da estrada, encontraram uma grande pedra que servia de pousada e passou a ser um destacamento militar utilizado pelas juntas militares criadas pela Carta Régia de 1808 por Dom João VI. Em 1824, o Comandante das divisões militares do Rio Doce, Guido Marlière, dá nome ao destacamento militar de Petersdorf (aldeia de Pedro) em homenagem ao imperador Pedro I. No documento, o comandante explica que colocou o nome alemão por soar melhor aos ouvidos, uma vez que no português ou no francês não soaria bem. Assim, o Destacamento do Sacramento, que servia para combate aos índios botocudos do Vale do Rio Doce e posteriormente de aldeamento indígena,[5] transformou-se no maior dos aldeamentos do Vale do Rio Doce na primeira metade do século XIX.

Pela presença militar, passou a ser popularmente conhecido por Quartel do Sacramento, sendo atualmente distrito de Bom Jesus do Galho. Inclusive é da localidade que partiram os fundadores do povoado do Galho, atual Bom Jesus do Galho.

Entre Folhas

A exploração da área onde está situado o atual município foi iniciada em 1781. O nome recebido pela localidade, Entre Folhas, refere-se a um córrego coberto de folhas que corria em meio à mata. O local recebera a sede da Intendência do Império, tendo por muito tempo forte influência da política do coronelismo. Apor meio do decreto estadual nº 16, de 6 de fevereiro de 1890, é criado o distrito, subordinado a Manhuaçu, mais tarde passando a pertencer a Caratinga.

Em 1900, houve a destituição da função de intendência, deixando de possuir influência regional. A Igreja da Matriz Nossa Senhora do Rosário ainda mantém o sino doado por Dom Pedro II, trazendo o selo da Casa de Bragança, no entanto quase todo o acervo histórico, que era mantido no templo, foi perdido em um incêndio acidental. O distrito chegou a ser extinto em dezembro de 1948, sendo recriado em dezembro de 1953. A emancipação é decretada em abril de 1992.

Naque

Na foz do Rio Santo Antônio com o Doce, Naque desnvolveu-se comercialmente

Pelo rio Doce, navegando rio acima, vindo de Figueiras (Governador Valadares), outro ciclo de colonização se estabelece, principalmente em Naque, na confluência dos rios Santo Antônio e Doce.

Antes de iniciar-se a exploração da região do atual município de Naque, várias expedições eram realizadas ao longo dos cursos dos rios Santo Antônio e Doce e afluentes, visando a explorar as redondezas. A área era originalmente habitada pelos índios botocudos, que viviam às margens dos rios. O desbravamento teve início sob comando do francês Guido Marlière, em meados do século XIX, no entanto o primeiro morador que se tenha notícia foi Antônio Barrinha, que afixou-se no local no começo do século XX e deu início ao povoado, que mais tarde foi batizado de Barra do Santo Antônio e, posteriormente, Naque, que significa “barro vermelho” em tupi-guarani.

Por volta de 1911, foi iniciada a locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas na localidade. A partir da foz do rio Santo Antônio, próxima à atual cidade, a ferrovia seguiria a margem do rio e alcançaria Peçanha, no entanto o foco foi alterado para Itabira devido ao desenvolvimento da mineração em função da extração de minério de ferro no município. Em dezembro de 1937, o povoamento, que pertencia até então a Peçanha, foi elevado à categoria de distrito e anexado ao recém-criado município de Figueira (Governador Valadares). Em 1943 o distrito é anexado a Açucena e em dezembro de 1995, é emancipado.

O pacificador do Vale do Rio Doce

Por mais sangrenta que fosse a transição entre os antigos donos da terra do Vale do Rio Doce e os novos donos, o trabalho do personagem nomeado para o cargo de Diretor Geral dos Índios em Minas Gerais, Guido Thomas de Marliere junto aos botocudos o tornou célebre. Sua área de atuação corresponde hoje à região onde estão instalados municípios como Marliéria, Jaguaraçu, Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga.

Marliere propôs a substituição de administradores inadequados ao trato com o indígena; criação de escola primária; abrigo hospitalar, além de verificar a possibilidade de ocorrência de ouro na região. A educação ligava-se ao princípio da aproximação do indígena com o branco. A defesa do indígena contra a ação deveria ser feita na medida em que o gentio estivesse ocupado em uma atividade qualquer.

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Um Comentário

  • Ana Maria Miranda de Paiva disse:

    Olá Mário, gostaria de ler a história de Vargem Linda, distrito de São Domingos do Prata e de Dom Silvério e Barra Longa.? Você ja pesquisou estes lugares? Desde já agradeço a seu belo trabalho. Ana Maria Miranda de Paiva

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