DOCUMENTARIO CG
Revista Caminhos Gerais

Estudo pioneiro em Primatas Neotropicais reforça a importância da tecnologia para o monitoramento da fauna silvestre

Um sauá albino (Callicebus nigrifrons), fotografado pela pesquisadora Dra. Vanessa Guimarães

Em um pequeno espaço de tempo, a fauna do Parque Estadual do Rio Doce é mais uma vez destaque na mídia nacional e internacional por suas excepcionais peculiaridades. Em novembro, a fotografia de seu maior habitante, a onça pintada, ficou entre as 25 melhores fotografias de 2025 da publicação mundial, National Geográfic. Já neste mês de dezembro, outra espécie ganha destaque na mídia, o registro mundial de um sauá albino (Callicebus nigrifrons). Tais fatos ressaltam a importância da unidade de conservação, a maior porção de Mata-Atlântica contínua de Minas Gerais.

Pesquisadores realizaram o primeiro registro mundial de um sauá albino (Callicebus nigrifrons) utilizando um drone equipado com câmeras térmica e colorida, no Parque Estadual do Rio Doce (PERD), o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica em Minas Gerais. A descoberta representa um marco na pesquisa de primatas e na aplicação de novas tecnologias para a conservação da biodiversidade.

A expedição foi conduzida pela equipe do projeto Primatas PERDidos, que utiliza drones de sensor duplo para o monitoramento não invasivo da fauna silvestre. Essa tecnologia permite identificar e acompanhar animais em áreas de difícil acesso e com vegetação densa, ampliando as possibilidades de observação e coleta de dados sem interferir no comportamento natural das espécies.

“O uso de drones equipados com câmeras térmicas e de imagem colorida vem revolucionando a nossa capacidade de monitorar espécies em áreas de difícil alcance, possibilitando a identificação de indivíduos raros, como o sauá albino, de forma eficiente, segura e sem causar estresse ao animal”, explica a bióloga e coordenadora da pesquisa, Dra. Vanessa Guimarães.

Casos de albinismo em Primatas Neotropicais – espécies que ocorrem na América Central e do Sul – são extremamente raros, e não havia registros anteriores para a família à qual o sauá pertence, composta por 63 espécies. Segundo a pesquisadora, esse fenômeno pode estar relacionado à baixa diversidade genética e ao alto grau de parentesco entre indivíduos, efeitos diretos da fragmentação de habitats e do isolamento populacional.

Fatores ambientais, como poluição e estresse ecológico, também podem contribuir para a ocorrência dessa condição.

A descoberta reforça a importância do PERD como um santuário de biodiversidade e abre novas perspectivas para estudos genéticos, comportamentais e de conservação de primatas. A equipe continuará suas investigações para compreender a frequência, comportamento e necessidades de conservação dessa e de outras espécies que habitam o parque.

Sobre o Parque Estadual do Rio Doce

A densa mata do Parque Estadual do Rio Doce é o habitat do primata – Foto: Elvira Nascimento

Localizado em Minas Gerais, o Parque Estadual do Rio Doce abriga uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do Brasil, reconhecida por sua extraordinária biodiversidade e por ser um importante refúgio para espécies ameaçadas de extinção.

O estudo contou com o apoio do Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente (CAOMA), vinculado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Plataforma Semente.

NIVER CMI 2026

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Você não pode copiar o conteúdo desta página