Grande extensão da vegetação, conhecida tambem como “praga verde” revela a saúde precária do rio

Como um tapete, a espécie de aguapé revela a saúde precária do rio Piracicaba – Foto: Arquivo CG
A proliferação de aguapés numa área equivalente a 20 campos de futebol, sobre a superfície do rio Piracicaba nas imediações da área urbana de Antônio Dias, impressiona pela extensão que chega a desaparecer na linha do horizonte.
Tal ocorrência, comprova que a saúde do rio Piracicaba não está boa.
Surgimento da “praga verde”
De acordo com estudos científicos, diversos fatores são responsáveis para o surgimento deste tipo de vegetação conhecida também como “praga verde” especialmente em rios ou reservatórios que a água tem pouca oscilação.
Um dos principais fatores, é a falta de saneamento básico, responsável pela alta concentração de nutrientes provenientes de esgotos domésticos e industriais e de fertilizantes agrícolas lançado no curso d´água. Chuvas fortes também são causadores da proliferação da espécie, por carrear para os rios nutrientes que servem de alimento para a planta. Além disso, a falta de mata ciliar e a diminuição da vasão dos rios favorecem para o alastramento da aguapé na superfície da água.
Outra consequência nefasta do tapete verde de aguapés formado nos corpos d´água, é a dificuldade de penetração da luz solar na água, prejudicando a fotossíntese e a produção de oxigênio, o que pode levar à morte de peixes.
A concentração de aguapés na região, deve-se principalmente à pouca oscilação da água, em razão da Barragem Antônio Dias do complexo hidrelétrico de Sá Carvalho em sua vazante.
Benefícios
Há controvérsia se o aguapé é um vilão ou não da natureza.
De acordo com estudos, a vegetação não é tão nociva, ela é apenas um sintoma, sendo inclusive benéfica por propiciar em suas raízes a proliferação de toda uma comunidade viva. Esta, constituída de bactérias aeróbias, algas, protozoários ou pequenos crustáceos e larvas de insetos ou moluscos, que fazem trabalho equivalente ao do lodo ativado das estações secundárias convencionais. Ele vai além, ele faz também o serviço das estações terciárias que, em geral, não são implantadas devido a seu alto custo. Além de absorver diretamente parte da matéria orgânica solúvel, o aguapé absorve os sais minerais resultantes da decomposição da matéria orgânica pela microvida que ele abriga.
A proliferação de aguapé na região é sem dúvida uma visível denúncia sobre o estado de saúde do rio Piracicaba, cenário de um dos mais ricos períodos de nossa história. A Bacia do Piracicaba abriga hoje uma das mais produtivas explorações de minério de ferro do planeta, bem como um dos mais prósperos parques industriais siderúrgicos do pais, possuindo todas as possibilidades de não precisar dos aguapés para o seu socorro.







