Mais de 500 mil pessoas passaram pelas 5 edições do evento, realizados em Governador Valadares, Colatina, Ipatinga e Linhares
Ao longo da reportagem, mostraremos imagens do 3º Fórum das Águas do Rio Doce, realizado em Ipatinga em 2007.

Dos dias 28 a 31 de março de 2007, o III Fórum das Águas do Rio Doce em Ipatinga, foi ponto de partida na região de uma real mudança de mentalidade, tanto na população como no poder público, sobre a questão da água – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Rosali, Záira e Pedro Paulo, coordenadores do Fórum das Águas do Rio Doce – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Em 2005, o maior evento de mobilização socioambiental realizado em cidades mineira e capixaba, que faziam parte da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, iniciava sua grandiosa e pedagógica jornada. Era o Fórum das Águas do Rio Doce, formatado em cinco edições, que tinha como meta: fomentar discussões envolvendo a gestão das águas numa das mais importantes bacias hidográficas do país.

À esquerda, Eri Pimenta, relações comerciais do Fórum – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Divididos em cinco eventos, sendo o primeiro em Governador Valadares/MG em 2005, o segundo em Colatina/ES em 2006, o terceiro em Ipatinga/MG 2007, o quarto em Linhares/ES em 2008 e o quinto, novamente em Ipatinga em 2010, o Fórum das Águas do Rio Doce mobilizou cerca de 500 mil pessoas em suas amplas estruturas.

O então secretário de Desenvolvimento Econômico de Ipatinga, Marcos Aurélio Sena, Vitor Feitosa e Pedro Paulo – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Eixos temáticos
A programação era dividida por quatro eixos temáticos, sendo:
1 – Geração Futura: feira escolar, oficinas educativas, maquete da bacia, trilha dos animais, Fórum Mirim
2 – Gestão, Ciência e Tecnologia: mostras de pesquisas, experiências e projetos, oficinas e minicursos, reuniões, encontros, debates, convênios e parcerias
3 – Eu Sou do Doce: apresentações artísticas e culturais que valorizam a identidade da bacia
4 – Feira das Águas: exposição de ideias e ações de recuperação e preservação dos recursos hídricos e da bacia.

O coordenador da Comunicação Visual do Fórum, Mário de Carvalho Neto, entre as jornalistas Silmara Freitas, Giovana Cabral e Raquel de Carvalho – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Os coletores de lixo foram utilizados como “outdoor móvel” durante o mês do evento – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
O 1º Fórum foi realizado pela ADERC – Associação de Defesa do Rio Caratinga, com suporte de revistas, sites, documentários e outras publicações. Na sequência, o Projeto Águas do Rio Doce contou com a liderança dos três coordenadores colegiados: Edmilson Teixeira da Costa, Pedro Paulo de Oliveira Martins e Zaira de Andrade Paiva, com a participação de uma ampla equipe de apoiadores e colaboradores.
Celebração em Caratinga
Para celebrar os 21 anos do mais importante movimento ambiental do Leste mineiro, os organizadores Pedro Paulo e Záira, realizarão em Caratinga, neste mês de abril, nos dias 24 e 26 o Encontro “Eu sou do Doce”, evento voltado à água, cultura e desenvolvimento. Para eles, o evento cuja programação reforçará a história e saberes, representará um encontro necessário com a nascente do movimento, que despertou na sociedade um olhar mais consciente e mais responsável sobre as águas.
Estrutura de grande porte no Parque Ipanema

Foram mais de 6.000 m2 de área coberta – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Um grande número de agentes públicos, companhias de saneamentos, instituições de ensino e prefeituras se protagonizaram no evento.

Todo o cuidado foi tomado para preservar o gramado do Parque Ipanema – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Governo Federal por meio dos Ministérios da Integração e do Meio Ambiente/ Agência Nacional de Águas (ANA); Governo do Estado de Minas Gerais por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente que compreendia a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM); Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA); Assembleias Legislativas de Minas Gerais e Espírito Santo, bem como a Câmara Federal; Companhias de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e do Espírito Santo (Cesan); Ministérios Públicos de Minas Gerais e do Espírito Santo; Prefeituras sede dos fóruns e todas as secretarias municipais, principalmente Meio Ambiente e Educação e boa parte das administrações dos 230 municípios que compõem a bacia, representados por suas associações como AMUNES – Associação dos Municípios do Espírito Santo e AMM – Associação Mineira dos Municípios.

O governador de Minas, Aécio Neves, o prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Diversos segmentos da sociedade civil foram representados no Fórum das Águas, desde as grandes empresas como Vale e Petrobras; associações de pequenos produtores e artesãos, como AMURCOF – Associação das Mulheres Rurais do Córrego dos Ferreiras; Organizações não-governamentais ligadas ao meio ambiente e aos recursos hídricos com atuação na época como Instituto Terra, Alma do Rio, Projeto Tamar e outras; associações culturais e artísticas como A Ponte Instituto; Universidades como UFES, UFV, Univale, Unileste, Unec e escolas de ensino fundamental e médio das redes municipais, estaduais e particulares; povos indígenas, quilombolas e minorias étnicas como pomeranos.

Grandes empresas regionais apresentaram suas ações ambientais – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Estandes da Acesita, Belgo Mineira, Arcelor Brasil e CST – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

O artesanato da Bacia do Rio Doce contou com amplo espaço durante o evento – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Resultados
Na avaliação dos organizadores, os resultados do Fórum da Águas foram superlativos, especialmente no processo de mobilização em torno do tema, que levou ao surgimento de movimentos, pesquisas, políticas públicas e nova consciência empresarial. O tema passou a ser tratado com mais frequência e intensidade na imprensa, inclusive com a criação de novos cadernos, colunas e programas voltados para meio ambiente e recursos hídricos. “Inúmeros acordos de cooperação assinados entre o governo federal e os governos de Minas e Espírito Santo para prevenção a enchentes na bacia, recuperação de nascentes e tratamentos de esgotos; anúncios de investimentos empresariais em reuso de água e destinação correta de resíduos, com intermediação de FIEMG e FINDES (federações das indústrias dos estados),” ressalta Záira Paiva.

Alunos das escolas de toda a região do Colar Metropolitano compareceram ao evento – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Em entrevista à Caminhos Gerais, Pedro Paulo de Oliveira salientou que, muitas evoluções ocorreram desde a promulgação da Lei Nacional das Águas e das criações dos primeiros comitês de bacias hidrográficas. De lá para cá, todos os comitês das bacias dos rios afluentes em Minas e no Espírito Santo estão consolidados. A Agência de Bacia e todos os instrumentos de gestão das águas estão implementados, sendo um exemplo para o país.

Milhares de estudantes compareceram nas diversas palestras – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Os povos ancestrais foram representados por meio da cultura – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
“As mudanças de comportamento são imensas ao longo desses 21 anos desde o 1º Fórum das Águas do Rio Doce” disse. Muitas conquistas aconteceram nas áreas de educação ambiental, saneamento, tratamento de resíduos sólidos, reuso e reciclagem de água industrial e até domiciliar. Pedro Paulo apontou ainda “A sociedade precisa continuar atenta e ocupar espaço nas diversas instâncias. A vigilância e a participação devem ser permanentes, assim como educação ambiental nas escolas, empresas e nos diversos espaços públicos.”

Grupo folclórico de Nova Era – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Grupo folclórico de Rio Piracicaba – Foto: Arquivo Caminhos Gerais

Maculelê de Itabira – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
3ª e 5ª edições em Ipatinga
Realizado no Parque Ipanema, as edições do Fórum das Águas do Rio Doce ocuparam uma área de 6.000m2 cobertas, abrigando 110 estandes por onde passaram mais de 130 mil visitantes. O apelo ambiental e natural do Parque Ipanema contribuiu para que o evento agregasse maior especificidade ao conceito ambiental do Fórum.

Uma das marcantes atrações do Fórum – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
Sob a gestão do prefeito Sebastião Quintão em 2007, o tema do III Fórum das Águas do Rio Doce foi Integração e Sustentabilidade. A Secretaria de Desenvolvimento, liderada por Marco Aurélio Sena foi a principal conexão. Já em 2010, com o prefeito Robson Gomes da Silva, o V Fórum das Águas do Rio Doce foi: Água e Educação, Garantia para o Futuro. O principal envolvimento, portanto, foi da Secretaria de Educação, comandada na ocasião por Célia Pedrosa.

Uma super maquete mostrava o Vale do Rio Doce até os portos em Vitória – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
O 3º Fórum das Águas do Rio Doce em Ipatinga, que contou com três mil colaboradores diretos e indiretos, aconteceu em 28 a 31 de março 2007, com investimento de cerca de R$ 1.200.000,00. Já o 5º, que contou com 1.500 pessoas, foi realizado nos dias 7 a 10 de abril de 2010, tendo um investimento de R$ 800.000,00.

A Rádio Feira transmitia simultaneamente a programação do Fórum – Foto: Arquivo Caminhos Gerais
O tema Integração e Sustentabilidade deu o tom do diferencial do III Fórum das Águas do Rio Doce, a começar pela presença dos governadores de Minas Gerais e do Espírito Santo, fato inédito na história da cidade. Teve também a importante presença da ex-primeira dama da França, Danielle Miterrand, então presidente da Fundação France Libertés, focado em direitos humanos, acesso à água e defesa de minorias.






