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Revista Caminhos Gerais

Últimas vias centrais de Coronel Fabriciano calçadas com paralelepípedo de concreto remetiam a um tempo de prosperidade e crescimento urbano

A rua Silvino Pereira e a rua José Anastácio Franco, as últimas vias centrais de Coronel Fabriciano calçadas com paralelepípedo de concreto – o segundo pavimento assentado na cidade no início da segunda metade do século XX, foram cobertas com pavimento asfáltico.

Ainda em terra batida, a rua Silvino Pereira era considerada uma das ruas comerciais mais importantes de Coronel Fabriciano – Foto: Arquivo Museu Histórico de Coronel Fabriciano – José Avelino Barbosa

 

Na década de 1960, a rua Silvino Pereira recebe pavimento de paralelepípedo de concreto, permanecndo até o mês de outubro de 2025 – Foto: Arquivo CG

O calçamento de paralelepípedo, recentemente recebe massa asfáltica apagando as marcas do passado – Foto: Arquivo CG

Paralelepípedo de concreto revitaliza a arquitetura urbana

A duas ruas asfaltadas, que atendem a um tráfego secundário, em geral, utilizadas como estacionamento, representava um período admirável de prosperidade e crescimento urbano de Coronel Fabriciano. Neste período, no governo de Raimundo Alves de Carvalho, a prefeitura implementou uma extensa campanha de revitalização da pavimentação, com paralelepípedos de concreto pelas principais ruas centrais da cidade, alterando substancialmente o aspecto arquitetônico de Fabriciano, propiciando maior comodidade e conforto na mobilidade urbana. O calçamento de paralelepípedos de concreto era uma inovação na estética urbana, e coincidia com o tempo em que a frota automobilística na cidade se formava.

As ruas Pedro Nolasco e José Cornélio recebem o novo calçamento de concreto – Foto: Arquivo Particular

Na época, o centro de Coronel Fabriciano dividia-se entre ruas calçadas com paralelepípedos de granito, conhecido como “calçamento de pedra” – ainda hoje presente na rua Vereador Pedro Messina – e ruas de terra batida. Até os anos 1960 por exemplo, a rua Pedro Nolasco – da esquina com a rua José Cornélio até a antiga Serraria Santa Helena, hoje, rua São Sebastião, na altura do atual Colégio Cepsma, era em terra batida.

O novo calçamento coincidia com o crescimento do tráfego de veículos em Coronel Fabriciano – Foto: Arquivo Particular

 

O calçamento realçava a moderna arquitetura das edificações – Foto: Arquivo Particular

 

O novo calçamento permitia uma melhor mobilidade do usuário – Foto: Arquivo particular

Projeto Aglurb

O Projeto Aglurb substituiu o paralelepípedo por bloquetes sextavado intertravado – Foto: Arquivo CG

O bem nivelado calçamento em paralelepípedo de concreto durou até a década de 1970, quando foi substituído no governo de Paulo Antunes. Neste ano iniciou a implantação do Projeto Aglurb, que remodelou radicalmente a pavimentação da cidade. O antigo calçamento foi substituído por bloquete sextavado intertravado. O projeto incluía também uma ampla rede pluvial e de esgoto. O trabalho foi considerado um primor da engenharia de calçamento, com bocas de lobo embutidas no meio fio, sarjetas bem definidas, curvatura no nível da pista para facilitar o escoamento da água da chuva e padronização dos passeios. Entretanto, o setor da rua Silvino Pereira, da esquina da rua Dr. Querubino, até o prédio da antiga Prefeitura, permaneceu com os paralelepípedos de concreto, devido a região ser de pouco tráfego e devido a alta qualidade do piso que o equipamento garantia.

O projeto tinha como marca, a padronização de todo o passeio da área central – Foto: Arquivo CG

Pavimentação asfáltica

No ano de 2023, o prefeito Marcos Vinícius implementou uma reforma quase que total das ruas centrais da cidade, substituindo o desgastado e deformado calçamento de bloquete sextavado, por pavimentação asfáltica. O antigo calçamento de bloquete, contava com mais de 40 anos, sofrendo deformações em decorrência de reparos na rede de água.

 

 

Mesmo com a ampla cobertura asfáltica, o setor da rua Silvino Pereira não recebeu massa asfáltica, mantendo o calçamento de paralelepípedo de concreto aparente. Ao passar pelo local, o calçamento de concreto remetia os usuários ao saudoso período histórico da cidade.

A pavimentação asfáltica revitalizou a região central de Coronel Fabriciano – Foto: Arquivo CG

Com o asfalto aplicado recentemente, o que restava do aspecto arquitetônico do sistema viário histórico urbano de Coronel Fabriciano desapareceu. O que nos parece, é que há pouca sensibilidade com a história da cidade, quando o objetivo do gestor público é preconizar uma visão de modernidade urbanística.

 

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