O especialista afirma também que a sustentabilidade deste crescimento depende também da continuidade dos ganhos reais de renda e da manutenção do desemprego em níveis baixos

Victor e Sabrina Espeschit brindam com os drinks Saint Tropez e Viegas – Foto: Elvira Nascimento
Os setores mais afetados pela pandemia foram sem dúvida os bares e restaurantes. Foi a maior onda de fechamento de bares da história do país. Apesar de muitos bares terem permanecidos no passado, fechado, muitos renasceram com mais vigor e criatividade.
Minas Gerais, que era o estado com o maior número de bares, foi severamente afetado, principalmente Belo Horizonte, cuja vida noturna era uma prestigiada atração turística.
O caminho foi longo até chegar aqui, quando os bares, boates e restaurantes conquistam novamente relevância na economia brasileira.
Este ano de 2016, os bares, restaurantes e similares devem fechar com faturamento estimado em R$ 540 bilhões. O valor representa uma alta de 9% em relação a 2025, que alcançou a cifra de R$ 495 bilhões. A pesquisa mostra ainda que o setor acumula 11 meses de crescimento nas vendas. Dos 24 estados acompanhados, 23 venderam mais e o Nordeste liderou com 10,3%.
O crescimento revela uma expansão acima do ritmo geral da economia. Considerando a inflação prevista de 4,9%, a alta nominal foi de 9%, demonstrando um crescimento real próximo de 4%.
De acordo com o economista Heldo Siqueira, o setor de bares e restaurantes são bastantes sensíveis quanto à evolução da renda e do emprego. Segundo Siqueira, o desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, no menor nível da série histórica, e o crescimento de 3,7% no rendimento médio real em relação ao ano anterior, ajudam a explicar o movimento favorável do setor além dos preços.
Sustentabilidade
O especialista afirma também que a sustentabilidade deste crescimento depende também da continuidade dos ganhos reais de renda e da manutenção do desemprego em níveis baixos. “A redução dos juros pode ser interpretada como um sinal de que o Banco Central avalia ser possível favorecer a expansão da economia sem comprometer o controle da inflação”. Ele disse ainda, que ao tornar o crédito mais acessível, este movimento pode favorecer o consumo e os investimentos, embora seus efeitos sejam graduais. Há portanto, perspectivas de continuidade da expansão, mas não há garantia de manutenção do mesmo ritmo nos próximos meses. Bares e restaurantes dependem também do crescimento dos demais setores, que geram renda para a população consumir seus serviços, aponta Siqueira.
Os bares e restaurantes somam mais de 1,5 milhão de estabelecimentos e empregam cerca de 5 milhões de pessoas, o equivalente a 7,9% dos postos de trabalho do Brasil. São 2 milhões de empreendedores, o que coloca o setor sobre os que mais reúnem donos de negócios no país. Além disso, o segmento conta com maior presença feminina: 39% dos empreendedores são mulheres.
Fonte: Edição do Brasil




