A histórica Fazenda Pimenteira, edificada em 1824 pelo tenente Jacinto Pimenta de Figueiredo (1.800 – 1881), inspirou a criação do “Dia do Pioneiro”.

Fundada em 1824, a histórica fazenda é o Marco O do início da ocupação do território hoje, município de Jaguaraçu – Foto: Arquivo particular
A data comemorativa, instituida por Decreto Lei nº 1019 de 02 de julho de 2026, que reverencia a primeira fazenda instalada em terras, hoje, o município de Jaguaraçu, veio a ser definida no dia 12 de dezembro, dia que celebra o aniversário da cidade. Na data que homenageará os pioneiros, será entregue uma comenda na forma de medalha a pessoas ou descendentes daqueles que contribuíram para a formação histórica de Jaguaraçu.
Não se sabe ao certo o mês da fundação da fazenda, mas, segundo a obra “Velhos Troncos Mineiros” – Vol. 1 (1955), de Raimundo Trindade, o primitivo nome de Jaguaraçu foi “Pimenteira”, topônimo que provém da Fazenda Pimenteira, que por sua vez, era o nome de seu proprietário.

Demolida no final do século XX, o “Dia do Pioneiro” é o resgate histórico do marco da formação do município – Foto: Arquivo particular
Sua localização ficava nos arredores do povoado que se formou nas terras doadas pela própria fazenda, vindo a ser denominado posteriormente de São José do Grama, atual Jaguraçu. Demolida no final do século XX, a Fazenda Pimenteira localizava-se à margem da estrada na direção do ribeirão Onça Pequena. A estrada leva também às localidades de Guarani, Paiol, Palmital e ao distrito de Santana do Alfié.

Decreto que institui o Dia do Pioneiro
Doação de três alqueires para São José
A Fazenda posteriormente foi adquirida por Lisardo José da Fonseca Lana, neto do alferes comandante Lizardo José da Fonseca, contemporâneo de Guido Marlière. Conta-se que em razão da doença de seu filho, Teófilo Marques, Lizardo em promessa pela cura de Teófilo, doa três alqueires de terra a São José, onde se construiu uma igreja.

Sobre o terreno doado pela Fazenda Pimenteira para a construção da igreja de São José, formou-se também o povoado de São José do Grama, atual Jaguaraçu – Foto: Arquivo particular
Conforme o livro “Os Antepassados – Vol 2 (1979), de Pedro Maciel Vidigal, Lizardo teria vendido a propriedade para José Luciano Coelho de Morais, cujo termo dizia: “reservasse uma área de três alqueires para a formação do patrimônio e a edificação de uma igreja em louvor a São José”.

Na década de 1960, a primeira igreja é então demolida e erguida no local, a atual Matriz de São José – Foto: Arquivo particular
Na Fazenda Pimenteira nasceram várias gerações da família Moraes, entre os quais, destaca-se Amynthas Jacques de Morais (1898 – 1977), que juntamente com Percival Farquhar e Athos de Lemos Rache, fundaram a Cia. Aços Especiais Itabira – Acesita, atual Aperam South America. Seus últimos donos foram as famílias Rolla, dono das famosas Casas Rolla e Casas Hamilton em Belo Horizonte e família Rolim.
De vestígio da fazenda, restou apenas fotografias e história oral. A centenária edificação, marco O da ocupação do território, cuja sede, desenvolveu-se preservando suas características interioranas, agora, torna-se um significativo símbolo do passado, motivando a comunidade jaguaraçuense a apropriar-se de sua própria memória e reforçar seu sentimento de pertencimento.

Com elevada qualidade de vida, Jaguaraçu resgata suas memórias e reforça suas políticas públicas voltadas ao fortalecimento do Turismo – Foto: Elvira Nascimento
Jaguaraçu tem um amplo território que circunvizinha com Antônio Dias, cidade fundada pelo bandeirante, o distrito de Santana do Alfié, também criado no período da mineração colonial e as cidades de Marliéria e Timóteo.
O “Dia do Pioneiro” passará a ser incluído no Calendário de Eventos, reforçando ainda mais a dinâmica política pública voltada ao Turismo, implementada pela prefeitura. Jaguaraçu conta com o Portal Viva Jaguaraçu, onde além de publicar um detalhado mapa turístico, o visitante poderá conhecer o forte potencial turístico do município, formado por belas paisagens, festas tradicionais e uma hospitalidade diferenciada, sob a brisa do clima de montanhas.
De acordo com o historiador Mário de Carvalho Neto, que resgatou a história da primitiva edificação e montou o dossiê historiográfico, a criação do “Dia do Pioneiro” além de representar a preservação da memória de um povo, representa também fazer dessa memória instrumento de desenvolvimento.
Para Betinna Tassis, consultora de Turismo para a prefeitura de Jaguaraçu, a data comemorativa vem na hora certa, quando as políticas públicas do município vem tratando o setor de Turismo como estratégico para o desenvolvimento econômico, social e cultural.
A administração da prefeitura de Jaguraçu acredita que a criação desta data que tem o amparo do resgate e a valorização da memória do município, é uma oportunidade para homenagear os cidadãos anônimos que em suas diversas formas, contribuíram para a construção da identidade cultural de Jaguaraçu.






