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Revista Caminhos Gerais

Edição conta a história de 8 padres da Diocese Itabira – Fabriciano, processados pela justiça militar no período da Ditadura

Amir José de Melo autografa seu livro sobre importante período da história regional e nacional – Foto: Arquivo CG

O escritor, historiador e professor de história fabricianense, Amir José de Melo, na noite dessa terça-feira (02/06) lançou no deque do Restaurante Metropolitano, seu livro, Padres Subversivos.

Editado pela Borboleta Editora, o livro de Amir, é resultado de uma longa investigação acadêmica sobre o processo de expansão do aparelho repressor da Ditadura Militar, que transcorreu no âmbito da Diocese de Itabira – Coronel Fabriciano, especialmente no Vale do Aço. O livro é a transcrição de seu Mestrado em História Social pela Universidade General Severino Sombra, sediada em Vassouras (RJ) no período de 2003 a 2006. O foco de seu trabalho investigativo foi sobre oito padres da Diocese, processados pela justiça militar, com base na Lei de Segurança Nacional, 30 anos após a absolvição dos mesmos. Segundo o autor, o ponto de partida de sua pesquisa foi o processo 7/71, arquivado no Superior Tribunal Militar, sediado em Juiz de Fora, sob o número 39.342.

Os padres processados são: Abdala Jorge, conhecido como Padre Abdala, Wilson Moreira, Geraldo Ferreira Monção, Petrus Martinus Johannes Van Rossum, José Nazareno Ataíde, Joseph Cornelius Marie De Man, José Valentin Bertollo e Cícero de Castro.

O deque do Restaurante Metropolitano ficou tomado por convidados – Foto: Arquivo CG

Segundo o historiador, na região, concentrou-se a ala do clero da Diocese de Itabira que absorveu de forma mais contundente as ideias do Concílio Vaticano II. (Conhecido como Primavera, o Concílio Vaticano II suscitou críticas de setores mais conservadores, preocupados com a maior liberdade no campo da interpretação bíblica, vindo a acusar o Vaticano II de “protestante”, “modernista” e “pró-comunista”).

Curiosidade

O interesse de Amir pelo tema, tem sua origem na juventude, aos 16 anos de idade, quando em companhia de seus pais, assistiam as missas dominicais na Matriz de São Sebastião, em Coronel Fabriciano. Ali, ele ouvia o celebrante no momento da homilia, discursar em defesa dos padres processados. Tal fato despertava nele a curiosidade de saber mais sobre o assunto, entretanto, os veículos de comunicação da época, pouco noticiava sobre a repressão, tema fortemente censurado.

Durante anos, acreditando que o tema é de relevante importância para a historiografia da região, seu trabalho acadêmico veio acontecer cerca de 40 anos depois, quando teve a oportunidade de obter depoimentos de atores envolvidos diretamente no evento e ter acesso a documentos originais.

O professor Amir alega que buscou nas formas de abordagens, desvendar na história local, os fatos inseridos na História Nacional. Para ele, tal fato regional, é como uma gota no oceano em um processo de conjuntura de luta nacional, muito mais ampla.

No livro, no período da repressão, a simples luta pela justiça de uma forma geral, especialmente empreendida pelos “padres subversivos” dentro da visão progressista, era vista como ato de “transgressão” pelos setores conservadores da sociedade e, logicamente, pelos militares. Percebe-se também uma dissonância entre a igreja tradicional e progressista.

A edição, com apoio do Governo de Minas e realização Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a Cultura, conta com organização de Roberta Rocha, projeto gráfico de Léo Feragom e colaboração de Sílvia Miranda.

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