Sindicato Rural de Caratinga promove capacitação para desenvolvimento da cacauicultura no leste mineiro

Viveiro de mudas de cacau da espície – Foto: Divulgação
Um dos mais apreciados alimentos em todo o mundo, o cacau, na forma de chocolate, cuja produção nacional concentra-se principalmente nos estados do Pará e da Bahia, está sendo bem recebido em terras do Leste mineiro, especialmente na região do Vale do Rio Doce.
O Sistema Faemg Senar, juntamente com o Sindicato Rural de Caratinga, aposta nesse fruto como nova fonte de renda para produtores da região.
O cacau, além de sua excelente posição no mercado, é também o que pode dizer uma atividade essencialmente sustentável, já que precisa do sombreamento de árvores. Cultivar cacau e preservar florestas, especialmente da Mata Atlântica são fatores duplamente positivos.

O desenvolvimento do cacau em meio à floresta – Foto: Divulgação
Produção nacional

Frutos do cacau – Foto: Sérgio Mourão
Situado como o 6º maior produtor mundial de cacau, com uma produção superior a 200 mil toneladas de amêndoas ano, em 2022, o Brasil exportou 36 mil toneladas de chocolates e 48 mil toneladas de derivados do cacau, gerando U$ 340 milhões de dólares. A Argentina é o destino principal, seguida por Estados Unidos e Chile.
O País também se destaca no cenário mundial por reunir todos os elos da cadeia produtiva do cacau, produção, moagem, indústria chocolateira e é um dos maiores consumidores de chocolate.
O cacau brasileiro teve seu reconhecimento internacional a partir de 2010, com premiações recebidas pelos produtores brasileiros no salão do chocolate de Paris, na França, provando a potencialidade do Brasil como produtor de tipos finos de cacau. Desde então, o Brasil tem conquistado muitos outros prêmios e, em 2018, recebeu o reconhecimento pela Organização Internacional do Cacau (OIC) como país produtor e exportador de “Cacau Fino ou de Aroma”.
Originário da bacia hidrográfica do Amazonas, o cultivo do cacau se espalhou para as regiões tropicais da América Central e Norte. Em descobertas arqueológicas, há evidências que o cacau fazia parte da dieta dos povos olmecas no México, há cerca de 1750 anos a.C.
Capacitação no Vale do Rio Doce
Começa nesta quarta-feira (4/2) e seguindo até sexta-feira, o curso Trabalhador da Cultura de Cacau / Implantação e Manejo Convencional, promovido pelo Sistema Faemg Senar, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Caratinga. A capacitação gratuita reúne 12 produtores rurais e marca um passo importante para a introdução do cultivo de cacau no Vale do Rio Doce.
Ministrado pelo engenheiro agrônomo, cacauicultor e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Genelício Crusoé Rocha, o curso aborda todas as etapas da cadeia produtiva do cacau, desde a implantação da lavoura até a colheita, pós-colheita e comercialização. Entre os temas estão preparo do solo, correção e adubação, tratos culturais, poda, controle de pragas e doenças, processamento das amêndoas, além de noções sobre fermentação e produção de cacau comum e para chocolate fino.
Segundo o instrutor, o cacau tem avançado para áreas consideradas não tradicionais. “Minas Gerais já soma cerca de 500 hectares cultivados, especialmente no Norte e Nordeste do estado, como no Vale do Jequitinhonha, por exemplo, e agora aqui, no Leste de Minas Gerais. O clima e o solo são favoráveis em praticamente todo o Norte, Leste e cerrado mineiro, e a cultura apresenta alto potencial de rentabilidade, geração de emprego e renda”, destacou.
Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Caratinga, Roberto Aquino, a iniciativa reforça o compromisso com a diversificação da produção regional. “O cacau surge como uma alternativa promissora para o produtor rural do Vale do Rio Doce. A expectativa é ampliar oportunidades e fortalecer novas cadeias produtivas”, afirmou.
Mercado interno e externo
Os contratos futuros no mercado externo têm oscilado, com valores reportados na faixa de US 4.000 a US 5.900 por tonelada, dependendo do dia e do contrato.
Já o mercado brasileiro, acompanha a tendência de alta histórica refletida internamente, mas os preços variam muito por região e qualidade. Não há uma cotação única por “tonelada” na ponta do produtor, sendo mais comum a negociação por arroba ou saca.
Exemplos de cotações locais recentes em fevereiro de 2026
Bahia: R$ 235,00 por arroba (15 quilos).
Espírito Santo: R$ 940,00 por saca (60 quilos de amêndoa seca).
Pará: R$ 15,00 por Kg. (amêndoa seca)






