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Revista Caminhos Gerais

A publicação integra as ações do Plano de Ação Territorial (PAT) para a conservação de espécies ameaçadas da região

Leoni do Nascimento coletando flores sempre-vivas no campo – Foto: Elvira Nascimento 

Foi lançado recentemente pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), um catálogo pioneiro que destaca o uso sustentável de plantas secas decorativas do Espinhaço Mineiro, região que abriga centenas de espécies nativas conhecidas como sempre-vivas. A publicação integra as ações do Plano de Ação Territorial (PAT) para a conservação de espécies ameaçadas da região e representa uma importante ferramenta para o fortalecimento da bioeconomia local.

O botão, espécie de sempre-viva muito utilizada no artesanato do Espinhaço Mineiro – Foto: Elvira Nascimento

O catálogo. Além de reunir informações botânicas e dados históricos, a publicação propõe um novo olhar sobre a flora do Espinhaço, buscando aliar conservação ambiental ao desenvolvimento sustentável. Segundo Gabriela Brito, coordenadora do PAT Espinhaço Mineiro, o catálogo visa promover práticas conscientes e valorizar o conhecimento tradicional das comunidades locais.

Patrimônio Cultural da Humanidade

A atividade de coletar sempre-vivas teve destaque mundial, quando a ONU – Organização das Nações Unidas, por meio da FAU – Organização para Alimentação e Agricultura, registrou a atividade como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco no anos de 2023. Foram seis comunidades agrícolas em territórios do Alto Jequitinhonha.

Produção artesanal com capim-dourado, espécie de sempre-viva do Alto Jequitinhonha – Foto: Elvira Nascimento

“O catálogo não é apenas uma vitrine da flora regional, mas uma ferramenta estratégica para integrar conservação ambiental e desenvolvimento sustentável”, afirmou Gabriela Brito. A coordenadora do PAT disse ainda que “A ideia é propor um novo olhar sobre o uso das plantas nativas, incentivando práticas que respeitem o meio ambiente e valorizem o conhecimento das comunidades locais”.

A iniciativa surge em meio ao desafio de conciliar a proteção da biodiversidade com as demandas econômicas das populações que habitam o território. Para isso, a publicação aposta na difusão de boas práticas de manejo e extrativismo sustentável, estimulando uma governança mais eficiente sobre a cadeia produtiva das plantas decorativas.

Além de servir como referência técnica para órgãos ambientais, pesquisadores e produtores, o catálogo busca inspirar uma relação mais equilibrada com o ambiente natural, promovendo o diálogo entre ciência, cultura e economia. A partir da busca em locais de comércio dessas plantas, durante o doutorado, o pesquisador Renato Ramos pôde identificar mais de 400 espécies de plantas que têm suas partes utilizadas, como flores, frutos, sementes e folhas.

Tia Nenzinha, apanhadora de flores do Quilombo Raiz, em Presidente kubitschek – Foto: Elvira Nascimento

“Esse é um trabalho de detetive, pois na maior parte das vezes temos apenas uma parte da espécie, o que dificulta muito o processo de identificação. Além disso, a origem das espécies é muito imprecisa, o que pode ampliar em muito as espécies possíveis”, relata Renato, um dos organizadores da publicação.

Segundo os organizadores, o objetivo não é esgotar o tema, mas abrir caminhos para uma nova etapa de relações sustentáveis com a vegetação do Espinhaço Mineiro. A publicação já está sendo distribuída entre comunidades tradicionais, instituições de pesquisa e gestores públicos, com a expectativa de fortalecer políticas públicas de conservação e incentivar práticas produtivas de baixo impacto ambiental.

O catálogo foi lançado no I Encontro do CRBio-04, realizado presencialmente na Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, nos dias 30/9 e 1/10.

Fonte: Agência Minas

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