Para impedir o desmatamento em Timóteo, população une contra substitutivo do governo

Moradores da região fortalecem movimento contra desmatamento da Mata de ZPA (Zona de Proteção Ambiental) – Foto: Arquivo particular
Não é a primeira vez que moradores de bairros vizinhos às Zonas de Proteção Ambiental na Região Metropolitana do Vale do Aço, se mobilizam em defesa destas consideradas áreas de fundamental importância para mitigar a crescente poluição urbana e industrial e reverter as alterações climáticas ascendentes. Em Ipatinga, moradores do bairro Santa Mônica em 2023, mobilizaram-se contra a possibilidade de transformar a encosta do Pico do Santa Mônica, em condomínio para classe média alta. Também em Coronel Fabriciano, moradores do bairro Belvedere e ambientalistas uniram-se contra a transformação de parte da APA da Biquinha em loteamento residencial. Estes confrontos entre a sociedade em defesa do meio ambiente a da qualidade de vida e os empreebdimentos imobiliários vem se tornando cada dia mais comuns na região. Áreas consideradas zonas de amortecimentos do Parque Estadual do Rio Doce, também vem ao longo dos anos, sofrendo fortes impactos provocados pela expansão imobiliária.

A população, ciente do crescimento urbanístico da região, que abriga um polo industrial de grande porte, com forte potencial poluidor, espera das autoridades o bom senso, em conduzir as transformações que o crescimento demográfico impõe.
Mata dos Funcionários

A Mata dos Funcionários, então Zona de Proteção Ambiental, tranformada pelo poder público em Zona Mista 3, poderá ser suprimida
A comunidade do bairro Funcionários, em Timóteo/MG, vem demonstrando força e união na defesa de uma das áreas verdes ainda preservadas na região: a Mata dos Funcionários. O espaço, que abriga diversas espécies de animais e cumpre papel fundamental no equilíbrio ambiental e climático do entorno, está sob ameaça. O substitutivo do Projeto de Lei nº 4.605, apresentado em 14 de março de 2025, transforma a Mata de ZPA (Zona de Proteção Ambiental) em Zona Mista 3, permitindo atividades econômicas, construções e loteamentos.

A área, que pertencia à Aperam, foi recentemente vendida a um novo proprietário, que já estaria prestes a iniciar o processo de retirada da vegetação; o que comprometeria a biodiversidade local e a qualidade de vida dos moradores. Segundo apurado, o impacto se estenderia até o Clube Campestre, afetando todo o ecossistema e expulsando a fauna que habita o local.
Diante dessa situação, os moradores se uniram para pedir a intervenção do Ministério Público, buscando impedir o avanço do loteamento até que sejam avaliados os impactos ambientais e as medidas legais cabíveis. Além da atuação jurídica, o grupo tem realizado uma mobilização comunitária e digital, convidando a população a apoiar a causa e fortalecer a defesa da mata.
A campanha pode ser acompanhada pelo perfil @funcionarios_2025. Por lá, são divulgadas atualizações e ações de engajamento. Os moradores também lançaram uma petição pública on-line https://c.org/6qZSbjkMs4 para reunir assinaturas e pressionar os órgãos competentes pela preservação da área.
“A preservação de áreas verdes é essencial para manter o ar puro, regular o clima e evitar enchentes. Permitir o loteamento dessa região é abrir mão de uma proteção natural que beneficia toda a cidade”, afirma May, moradora que apoia o movimento. Já Pedro, que viveu décadas próximo à mata, reforça o valor simbólico do lugar. “É um absurdo e uma grande irresponsabilidade, mudar a lei para permitir o desmatamento. Isso vai na contramão de tudo o que o mundo defende hoje.”






