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Revista Caminhos Gerais

“O Grande Capitão das Terras Proibidas” narra a saga do militar francês para evitar o extermínio indígena na guerra ofensiva decretada por Dom João VI

O livro, o Grande Capitão das Terras Proibidas, é um retorno ao Vale do Rio Doce no século XIX

Poucos sabem que o Vale do Rio Doce foi palco de uma das mais sangrentas guerras contra os povos primitivos que habitavam a região. Diversas etnias desapareceram para dar lugar aos colonos que ocuparam as terras férteis do Vale do Rio Doce a partir do século XIX. Neste contexto da Guerra Justa, chega à região o militar francês Guido Thomaz Marliére (1767-1836), para trazer um pouco de civilidade na relação entre os colonos e os índios.

O jornalista Fernando Benedito Júnior está lançando o romance “O Grande Capitão das Terras Proibidas”, que narra a história do militar francês Guido Marliére (1767-1836) e sua relação com indígenas das várias etnias que habitavam as margens setentrional e meridional do rio Doce, em Minas Gerais, no início do século XIX.,

Diversas etinias habitavam as margens setentrional e meridional do rio Doce, até o século XIX, início do desaparecimento – Gravura de Johann Moritz Rugendas

“O rio Doce, além das catástrofes ambientais foi cenário de uma das maiores tragédias humanas da história do Brasil: o extermínio indígena a partir da guerra ofensiva iniciada por Dom João VI, em 1808. Sem paridade de armas, o conflito se utilizava de emboscadas, táticas de extermínio em massa, traições e engodos para eliminar os nativos, que o jargão colonial denominou de Botocudos e os indígenas de Aymorés”, conta o autor.

Intrigas e perfídias

Guido Thomaz Marliére ocupou o posto de Diretor Geral dos Índios e Comandante das Divisões Militares do Rio Doce

Conforme Benedito, é neste contexto que o tenente Guido Thomaz Marliére, mais tarde nomeado capitão, Diretor Geral dos Índios e Comandante das Divisões Militares do Rio Doce, se interpõe no conflito entre brancos e indígenas, tomando o partido dos nativos e despertando a ira dos colonizadores. “Guido tinha um projeto de aldeamento e civilização, inspirado em conceitos humanistas e iluministas, que confrontava as táticas bélicas dos colonizadores portugueses. Sua rápida ascensão na carreira militar em Vila Rica e a nomeação como Diretor Geral dos Índios e Comandante das Divisões Militares despertou o ódio de seus inimigos e detratores que o denunciaram por enriquecimento ilícito, apoio aos levantes indígenas, espionagem em favor de Napoleão Bonaparte e alta traição”, pontifica Fernando Benedito.

Depois de preso, julgado e absolvido no Rio de Janeiro, Marliére volta a Minas e se embrenha nas selvas do Rio Doce, em sua empreitada civilizatória junto aos nativos das etnias Xopotó, Coroados, Puris, Pataxós, Nanuques, Krenaks, Zamplans e várias outras que viviam às margens do rio Doce.

Legado histórico

O Capitão Nherame, Grande Capitão ou Velho Capitão, no tratamento que lhe dispensavam os indígenas, por causa dos cabelos brancos, comandou as Divisões Militares até 1827. Durante este período contribuiu para a fundação da usina siderúrgica de seu conterrâneo João Monlevade, escreveu inúmeras crônicas e artigos, colaborou com grandes naturalistas, cientistas, etnólogos e pesquisadores estrangeiros que o visitavam; empreendeu inúmeras viagens exploratórias para estudar a navegabilidade do rio Doce e foi o responsável direto ou indireto pelo surgimento de diversas cidades, a partir dos quartéis das Divisões Militares ao longo do rio Doce em direção ao mar, Zona da Mata e outras regiões de Minas.

Polifonia

Segundo Fernando Benedito, “O Grande Capitão das Terras Proibidas” é um romance escrito a muitas vozes. “É o que tenho chamado de uma obra polifônica, que busca narrar a história a partir do ponto de vista do autor, mas também e principalmente dos indígenas; do próprio Guido Marliére, que legou um vasto material; dos viajantes europeus e colonizadores”, finaliza o autor.

Sobre o autor

Fernando Benedito, o autor de o Grande Capitão das Terras Proibidas

Fernando Benedito Júnior, nasceu em Minas Gerais em 4 de fevereiro de 1963. É jornalista e autor do romance “O Laço Húngaro” (Prêmio BDMG de Literatura), sobre a passagem da Coluna Prestes em Minas Gerais; e dos romances “Relata Refero” e “Entre Paralelos e Meridianos”.

Organizou e editou o ensaio “Notícias do Sertão do Rio Doce”, que reúne textos de Guido Marliére sobre sua vivência com as diversas etnias indígenas de Minas no início do século XIX.
SERVIÇO
Livro: O Grande Capitão das Terras Proibidas
Gênero: Romance
Autor: Fernando Benedito Jr.
260 páginas
Editora: Clube de Autores
NIVER CMI 2026

One Comment

  • Maria Goulart disse:

    Livro muito bom! Aos amantes de literatura e/ou história, recomendo de olhos fechados. Já estou em busca de outras obras do autor Fernando Benedito.

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