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Revista Caminhos Gerais

Importante unidade de conservação faz o dever de casa como agente na fixação de carbono, no equilíbrio climático e associa-se ao regime de chuvas

Em Belém (PA), diversas nações se encontram para discutir ações que mitigam o aquecimento global

Se tem um assunto mais atual, é a COP30. Não apenas porque é a pauta do mundo, onde vários países estão reunidos discutindo o futuro do planeta, mas, por se tratar da natureza, este único e complexo sistema que pode garantir a sobrevivência de toda a vida na Terra.

É na natureza que se encontra a água que bebemos, o alimento que comemos, o ar que respiramos. A COP-30 é um alerta, de que este imenso maná, até então gratuito, pode estar perdendo a sua capacidade de prover aos seres vivos o que eles mais precisam para sua sobrevivência.

A partir de hoje, 10/11 em Belém, começa oficialmente a trigésima Conference of the Parties (Conferência das Partes) ou Conferèncias das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 – COP30. A primeira, realizada em Berlim, em 1994, foi ratificada em assinatura para implementar o tratado de discussão sobre o clima, na ECO-92 no Rio de Janeiro.

Desde 1992, as condições climáticas já alertavam sobre o aquecimento global face a emissão de gases de efeito estufa e o desmatamento. Entretanto, nestes 30 anos, a situação climática só tem se agravado, chamando a atenção para os gigantescos desafios.

A recomposição de áreas degradadas com o principal agente ativo para a captura de CO2 na atmosfera, as árvores, são fundamentais para mitigar o desflorestamento descontrolado das últimas décadas – Foto: Elvira Nascimento

Apesar da COP30 está acontecendo a 2.836 km de distância do Vale do Rio Doce, na cidade de Belém, capital do estado do Pará, por aqui também, o assunto é mais que atual, é uma premência, já que a região abriga um polo industrial siderúrgico e de mineração, com forte potencial poluidor e abriga uma unidade de conservação altamente sensível.

Protagonismo

Sob a aura do encontro, o Parque Estadual do Rio Doce torna-se protagonista na questão climática no âmbito do estado de Minas Gerais, sendo extremamente expressivo na fixação de carbono, equilíbrio climático, associação ao regime de chuvas, para a produção de ciência e conhecimento, lazer e educação ambiental.

O Vale do Aço na COP30

Além da conexão holística entre o Perd e a COP30, um grupo de voluntários da região, formado pela Rede Colaborativa de Desenvolvimento Ambiental, Econômico e Sociocultural do Rio Doce, encaminhou o documento “A Carta do Rio Doce”, para o encontro, alertando sobre a importância de suas águas para milhões de pessoas que delas dependem. Outra conexão do Vale do Aço com o evento, diz respeito à inclusão do projeto da Cenibra no caderno especial “Setor Florestal Brasileiro pelo Clima” produzido pela Indústria Brasileira de Árvores, que está sendo distribuído na COP30. Também do Vale do Aço, a ONG, Arca – Associação Rede Mineira de Cooperação Amazônica para o Clima, por meio de seu representante Nilton Barreto e a Aperam Bio Energia, com o Painel Community Consent and Local Engagiment Best Practice in CDR.

Se o Vale do Aço está na COP30, a impressão que se tem, é que o espírito da COP30 não está no Vale do Aço. Recentemente, a população de Timóteo e Ipatinga intensificaram manifestações públicas contra a possibilidade de transformar duas áreas de preservação ambiental nos respectivos perímetros urbanos, em loteamentos. Em Timóteo, a mata do bairro Funcionários e em Ipatinga, o Horto Florestal Dom Lélis Lara.

Contribuição da Mata Atlântica

Além da floresta Amazônica, outros biomas como a Mata Atlântica tem papel fundamental na captura de gas carbônico CO2 na atmosfera – Foto: Elvira Nascimento

A floresta Amazônica é apenas a moldura da COP30, o importante evento não acontece para salva-la, mas, todas as florestas tropicais que permeiam pelos mais distantes recônditos do planeta. Os parques nacionais, estaduais e municipais, as APAs, as RPPNs, as áreas de preservação permanente, ou mesmo uma simples grota, onde brota uma nascente, estão sob o espírito guardião da COP30.

História

A conexão entre todas as matas tropicais do país, remete a períodos remotos de nossa história natural.

Se fizéssemos uma pequena viagem no tempo, voltando no ano 1.500, ano do descobrimento do Brasil, observaremos que todo o território brasileiro era coberto por uma única mata de Norte a Sul. Dessa mancha verde que cobria todo o país, sobreviveu algumas ilhas de floresta, dentre elas, a Mata Atlântica, a floresta Amazônica, os Campos Rupestres, as Florestas Altimontanas, as Florestas Estacionais e muitas outras, hoje fragmentadas, rodeadas por pastagens, adensamentos urbanos e empreendimentos diversos.

Nessa dimensão planetária, encontra-se o Parque Estadual do Rio Doce, um santuário de Mata Atlântica, que num passado longínquo, transicionava com todas as espécies, numa só mancha verde, de Norte a Sul.

O Parque Estadual do Rio Doce

Classificado como Sítio Ramsar, ou zona úmida, o Perd é fundamental para o equilibrio climático na região do Rio Doce – Foto: Elvira Nascimento

Segundo o gerente do Perd, Vinícius Moreira, estima-se que a Mata Atlântica, tem cerca de 60 milhões de anos e a floresta Amazônica, cerca de 2 milhões de anos. Vinícius pondera que o cenário florestal no continente americano nos primórdios, era de Mata Atlântica. Em decorrência de variação atmosférica, clima e relevo, ao longo dos milênios, a floresta evoluiu, adquirindo novas características e novas espécies, formando então outros biomas, como o próprio Amazonas. O gerente do Perd sugere que a Mata Atlântica é a mãe de todos os biomas.

De acordo com Vinícius, a tese mais aceita por estudiosos, é de que a Mata Atlântica originou-se a partir da separação dos continentes americano e africano, na era da fragmentação do supercontinente meridional, chamado Gondwana, na Era Mesozoica.

Para o gerente do Parque do Rio Doce, Vinícius Moreira, a contribuição do Perd para a região, vai além da mitigação dos eventos climáticos e da produção de ciência e conhecimento – Foto: Arquivo Particular

Em suas observações, Vinicius vê a Mata Atlântica como um ser vivo de grandes dimensões, porém com variações fito fisionômicas distintas, de acordo com sua territorialidade. Segundo ele, a Mata Atlântica na faixa litorânea difere do interior do país. Ele disse ainda que há cerca de 10 categorias de sucessão fisionômicas na Mata Atlântica, e que apesar do Parque do Rio Doce ser um micro sistema, comparado com a extensão do bioma no território brasileiro, notabiliza-se inúmeras sucessões físicas, como vegetação rasteira próxima a acúmulos de água, mata densa em áreas distantes etc. O Parque do Rio Doce pode-se dizer, é um pequeno retrato da Mata Atlântica na sua dimensão fisionômica, disse.

Sobre a importância do Parque Estadual do Rio Doce no contexto da COP30, que potencializa as discussões sobre a importância da floresta na estabilização do clima, via captura de gas de efeito estufa na atmosfera, o gerente da unidade de conservação Vinícius Moreira, reitera que o Parque do Rio Doce tem muito a contribuir para esse processo. Ele aponta que o Perd contribui para mitigação dos eventos climáticos, conservando o terceiro maior complexo de planície alagada do Brasil. Este fator foi fundamental para a sua classificação como Sítio Ramsar, isto é, reconhecido mundialmente como zona úmida, de extrema importância para o equilíbrio climático. Os lagos são classificados como sentinelas, isto é, termômetros de como o clima está no Vale do Rio Doce, bem como no estado como um todo, além de contribuir para a produção de ciência e conhecimento.

 

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